Amoroso espera decisão da Fifa para poder negociar com outro clube após deixar a Grécia
O brinco de diamante na orelha direita contrasta com a sunga preta surrada. Cada gole na água mineral é seguido de pedidos de fotos e autógrafos. O sorriso estampado no rosto contamina quem passa na Praia da Barra, Zona Oeste do Rio. No entanto, ao abrir a boca, Amoroso revela preocupação com o futuro. Aos 34 anos, pensou em largar o futebol. Perdeu a paciência com o mercado da bola e seus dirigentes.
No último clube, o Aris Salônica, jogou seis meses. Três deles sem receber um tostão. Entrou com uma queixa na Fifa, obteve ganho de causa, mas ainda não foi liberado para atuar em outro clube- imbróglio que deve ser resolvido até a próxima sexta.
Amoroso não quer saber de levar outro calote nem de prejudicar os estudos dos filhos e a vida regrada da esposa. Logo ele que rodou o mundo. Atuou no Japão (Verdy Kawasaki), Itália (Udinese e Milan), Alemanha (Borussia Dortmund), Espanha (Málaga) e por fim na Grécia. Agora, diz que pensa dez vezes antes de firmar acordo com algum time, embora ainda não tenha recebido propostas oficiais para voltar a jogar.
- Tinha contrato de um ano e meio com o Aris Salônica. Fui recebido calorosamente, como nunca aconteceu, no aeroporto. Mas só me pagaram os meses de janeiro, fevereiro e março, quando assinei o contrato, e depois me deram calote. Então, em julho, voltei ao Brasil e acionei os meus advogados. Espero não ter mais esse tipo de problema num próximo clube - revela o atacante, entre uma e outra pelada com Raimundo, como Edmundo é conhecido pela turma do futevôlei.
Amoroso tira onda de surfista no litoral paulista
Dublê de surfista nas horas vagas, Amoroso garante que não faz feio quando cai no mar. Brinca que no litoral paulista seu apelido é Márcio Slater - mistura do primeiro nome dele com o do octacampeão mundial de surfe, Kelly Slater.
- Surfo há mais de um ano. Apesar de morar em Campinas, sempre que posso viajo para pegar onda - conta.
Sincero, Amoroso confessa que guarda mágoas do Grêmio. Nada a ver com a torcida. O problema eram os empresários que freqüentavam o clube e o então técnico Mano Menezes.
- Fui contratado para ser titular. Porém, o treinador me colocou no banco para valorizar o Carlos Eduardo. Enquanto estive na reserva, o direito federativo do garoto deve ter aumentado uns 20 ou 30% - desabafa, para depois dizer que o Tricolor Gaúcho perdeu a Taça Libertadores porque tinha contratado um técnico teimoso.
| Márcio Amoroso dos Santos | |
| Idade | 34 anos (05/071975) |
| Nascimento | Brasília |
| Altura | 1,80 m |
| Peso | 69 Kg |
| Clubes | Guarani, Verdy Kawasaky, Flamengo, Udinese, Parma, Borussia Dortmund, Málaga, São Paulo, Milan, Corinthians, Grêmio e Aris Salônica |
| Títulos | Campeonato Japonês (93 e 94), Carioca (96), Gaúcho (2007), Alemão (2002), Supercopa da Itália (99), Libertadores da América (2005), Mundial Interclubes (2005), Copa do Mundo Sub-20 (93) e Copa América (99) |
Sem receio de criticar os desafetos, Amoroso garante que uma de suas maiores virtudes é "dar a cara para bater". Em 15 anos de futebol, desde que foi lançado pelo Guarani em 1993, o jogador admite que cometeu muitos erros. Mas faz questão de ressaltar qual foi sua decisão certamente mais polêmica e talvez mais acertada da carreira. Estabeler a lei da mordaça no Corinthians, em 2006. Isso mesmo, foi ele o mentor da idéia de o grupo ficar nove jogos sem falar com a imprensa
- Percebi que tudo no Corinthians vazava para a imprensa. Desde assuntos particulares a questões profissionais dos jogadores. Então, com a ajuda do César e do Magrão- outros dois jogadores experientes-, pedi o fim das entrevistas. Em um momento tenso quanto aquele, precisávamos de tranqüilidade. Conclusão: estávamos em penúltimo e, na base do silêncio, ainda conquistamos uma vaga na Copa Sul-Americana - conta o brasiliense Márcio Amoroso dos Santos, que formou dupla de ataque com Ronaldo Fenômeno na seleção brasileira campeã da Copa América em 1999.
Amoroso aproveitou as férias de julho para conhecer as praias de Dubai, capital dos Emirados Árabes
Artilheiro dos campeonatos Brasileiro, com 19 gols (94); Italiano, com 22 (99) e Alemão, com 18 (2002), Amoroso diz trocaria todos estes tentos por um ano extraordinário como o de 2005. Época em que teve participação decisiva na conquista da Taça Libertadores e do Mundial Interclubes pelo São Paulo.
- Passei os melhores momentos da minha vida no São Paulo. Depois de 12 anos, voltei a formar dupla de ataque com o Luisão. Crescemos juntos no Guarani e tivemos a oportunidade de jogar juntos novamente. Não queria ter saído do Morumbi. A minha única exigência para renovar com o clube era estender o contrato de dois para três anos. Mas, infelizmente, não houve acordo. Jamais pedi, por exemplo, para ganhar o mesmo salário que o Rogério Ceni. O maior ídolo do time - esclarece o centroavante, que rompera contrato com o Málaga para jogar no Tricolor paulista.
Amoroso não titubeia em eleger a maior frustração da sua carreira: não ter rendido tudo o que podia no Flamengo. Time dos seus pais. Na cidade onde passou a infância e a adolescência. O destino, acredita ele, poderia ter sido menos cruel
- Tinha acabado de sair de uma contusão no joelho, mas havia uma cobrança grande para que eu voltasse a jogar logo. Só que não consegui ganhar ritmo. E hoje reconheço que poderia ter feito mais. Ainda assim, fui campeão invicto do Campeonato Carioca nos três meses de clube - admite o jogador, que também se arrepende de ter se transferido muito jovem, com 18 anos, para o Verdy Kawasaki do Japão.

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